Dia Europeu das Línguas: Porque é que falamos línguas diferentes?

Hoje é o dia Europeu das Línguas!
Para celebrar esta data, falamos de um tema que já passou pela cabeça de muita gente: Porque é que falamos línguas diferentes?

Segundo uma história da Bíblia relatada no Livro de Génesis, houve uma altura em que todos os povos falavam a mesma língua. Depois, quando os povos se uniram para construir uma torre na Babilónia que glorificava os seus próprios feitos, e não os da sua divindade, Deus castigou-os. Fez com que a humanidade falasse línguas diferentes, para que nunca mais pudessem trabalhar em conjunto para desonrar o seu Deus.

Será que chegou a existir uma língua que toda a gente conseguia perceber? Os linguistas não sabem, não há informação suficiente sobre as origens da linguagem, e existem apenas teorias sobre como os nossos antepassados formaram as suas primeiras palavras e frases. Será que os primeiros povos imitaram os sons que ouviam no ambiente? Terão balbuciado até que determinados sons começaram a ter significado? Provavelmente nunca vamos descobrir, apesar de os linguistas continuarem a estudar os cérebros dos bebés para tentar descobrir se a língua ou a gramática já vêm programadas nos nossos cérebros.

Uma das teorias mais proeminentes sobre o desenvolvimento das primeiras línguas está relacionada com as ferramentas e recursos. Para ensinar outra pessoa a utilizar ferramentas, é necessário possuir um determinado vocabulário que ambas compreendam, assim como o processo de partilhar e proteger recursos como comida e abrigo. Os pequenos grupos de pessoas que viviam em espaços apertados, tiveram de desenvolver uma forma de se compreenderem, e foi por isso que criaram um vocabulário e sintaxe com significado para eles. No entanto, é provável outro grupo de pessoas do outro lado do mundo, precisasse de um vocabulário completamente diferente, por isso a sua linguagem iria desenvolver-se de forma diferente e isolada. Um bom exemplo deste fenómeno (embora não esteja completamente correto) é o facto de os esquimós terem 100 palavras para neve, uma vez que vivem num ambiente onde existe muita. Embora esta ideia comum esteja errada, existem culturas que têm mais palavras para descrever arroz e camelos do que, por exemplo, o português.

Por isso, estes pequenos grupos de pessoas, que viviam isolados uns dos outros, criaram nomes entre si para descrever as suas ferramentas e comida, assim como formas para descrever como os recursos seriam divididos. Mas quando outro grupo migrava para a zona, ou chegava com outros recursos para negociar, os grupos tiveram de encontrar formas de juntar os seus diferentes léxicos e de comunicar entre si. É dessa forma que as línguas se vão desenvolvendo com o passar do tempo, e, à medida que alguns grupos conquistavam outros, algumas dessas línguas também acabaram por morrer.

Viajar em grupos pequenos que falam línguas diferentes tem sido uma tarefa complicada ao longo de toda a História da humanidade. Agora, vivemos num mundo no qual é possível entrar num avião em Nova Iorque e aterrar na China poucas horas depois. Num mundo global, seria benéfico se todos falássemos a mesma língua? Há alguns grupos que defendem que se deveria adotar uma língua universal, mas seria difícil convencer as pessoas a desistirem da sua própria língua, nem que seja pela cultura e História que são embutidas em cada língua com a passagem do tempo. Afinal, os ingleses não iriam abandonar a língua de Shakespeare mais facilmente do que os espanhóis o fariam com a língua de Cervantes.

As tentativas para criar uma segunda língua universal também falharam, mas mesmo que chegássemos a acordo relativamente a uma língua comum, é pouco provável que ela permanecesse inalterada durante os próximos 100 anos. Afinal, graças à influência da Internet, a língua tornou-se numa mistura de emojis e abreviaturas como LOL.

As línguas desenvolvem-se demasiado depressa para que todos falem apenas uma.